Não é porrada nem bomba, é tiroterapia

Tiroterapia é opção para aliviar a tensão
Eduardo Enomoto/R7

Coração acelerado, nervosismo, tensão, arma na mão, dedo no gatilho e pá! Um tiro surdo numa sala acinzentada, abafado pelos protetores de ouvido, mas que ainda retumba no peito. Nas mãos, uma The Judge (O Juíz, em tradução livre) — um nome emblemático —, calibre 36. Prateada, potente, brilhava e exigia respeito. Um tambor remetia à imagem das armas clássicas vistas pela televisão. Primeiro tiro da vida. No alvo, um rombo na altura da orelha de pelo menos 10 cm. Sorriso de canto de boca, mãos tremulas: “Acertei”.

Essa é a descrição da experiência da reportagem do R7 em uma sessão de tiroterapia, no Clube de Tiro ADC, no Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Uma pequena porta “esconde” um mundo restrito àqueles que amam armas ou que desconstruíram a imagem de violência do equipamento em busca de alívio para o estresse. É descendo bala em alvos móveis e fixos que mais de 300 associados descarregam a tensão e frustração ou praticam o tiro como esporte.

A entrevista continua no estande de tiro. Cada disparo uma piscada forte. Um dia deve acostumar. Quente e frio não é brincadeira de criança no local e não acatar os comandos pode custar uma vida. Quando não há ninguém na pista (área de alvos), vozes ecoam: “pista quente”, e começam a pipocar disparos. Se alguém vai trocar o alvo ou realizar alguma outra tarefa que exija entrar na linha de tiro, todos gritam: “pista fria”. Todos respeitam, nenhum titubeia.

A segurança do local é reforçada. Lembra os portões das penitenciárias. Grossos, eletrônicos, com ar de segurança reforçada. E não seria para menos. É no clube também que muitos atiradores guardam seus arsenais, uma vez que não possuem porte de arma.

Não é todo mundo que pode se associar. A indicação é o primeiro passo. Após o preenchimento de um questionário por e-mail, o interessado tem sua vida passada a limpo. A “capivara” tem que estar em dia. A visita ao clube é a próxima etapa. Aceito, o associado paga uma mensalidade de R$ 100 e, ao menos, R$ 1,60 por bala usada. As armas são emprestadas. Tem de tudo, mas a queridinha é a Glock, de fabricação austríaca. A belezinha pode chegar a custar R$ 21 mil, mas, quem gosta e tem dinheiro, paga.

Quem tem cacife também pode passar o dia atirando. Tem associado que deixa R$ 2.000 em bala no local. Não é incomum usarem fotos de desafetos como alvos, o que pode parecer sádico, mas sadismo não é crime, seguimos.

Apesar da mensalidade “justa”, a maioria dos frequentadores tem alto poder aquisitivo. São médicos, políticos, policiais civis do alto escalão. Ao menos 20% são mulheres, que buscam armas como forma de defesa e nem tanto como terapia.

Preconceito

Maluf procurou a tiroterapia depois que terminou um namoro
Eduardo Enomoto/ R7

A maior dificuldade narrada pelos frequentadores é o preconceito. A desconstrução da figura da arma, que, para boa parte da população, remete automaticamente à violência, é um desafio.

Num País em que não existe a cultura armamentista, o assunto é um tabu. Mas não é para menos. O Mapa da Violência feito pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais aponta que ao menos 45 mil pessoas morreram por arma de fogo em 2014 no Brasil.

Mas o perfil das vítimas (homens, jovens e negros) está longe de ser o dos frequentadores de clubes de tiros. É outra questão, mas o aumento contínuo do número de mortes pode explicar o ranço da maioria dos brasileiros, que decidiu, em 2005, a favor da proibição da venda de armas de fogo.

As pessoas com quem a reportagem conversou são a favor do direito de qualquer cidadão sem antecedentes poder ter uma arma. Mas há quem deixe de lado a vontade de ter um “ferro”, mesmo sendo apaixonado por atirar.

O empresário Luiz Maluf, de 27 anos, entoa o coro contra o desarmamento, mas pondera caso pudesse ter legalmente uma arma.

— Ela [arma] perde a conotação de terapia e ganha outro sentido. Mesmo com porte, eu não sei se teria uma. Eu não vejo necessidade.

Maluf foi parar na tiroterapia após uma desilusão amorosa há quatro anos. Tirou seus dedos dos copos de bebida e os colocou em armas. E foi dando tiro que descontou sua tristeza em cada alvo colocado à sua frente.

Assim como ajuda a curar corações despedaçados, a tiroterapia também une casais. O médico L.R.A., de 33 anos, se tornou aficionado por armas há um ano e vai até o estande de tiro com a namorada.

— Quando você coloca algo letal entre o casal o respeito cresce. Além disso, conversamos muito sobre o assunto. Vira um hobby.

Mas a paixão pela namorada parece ser dividida com sua arma preferida, que não sai do colo durante a entrevista e a qual ele faz questão de emprestar à reportagem.

L. quer que o brasileiro tenha o direito de escolher se quer ou não ter uma arma, mas nem sempre foi assim. O médico era a favor do desarmamento e votou contra a legalização da venda das armas no referendo.

— Comecei a ver que a questão não é o objeto, e sim a conduta da pessoa. Se a pessoa quiser cometer um crime e ela não tiver uma arma ela vai arrumar qualquer outra coisa. É melhor focar em educação do que só cercear a liberdade

Quanto a eficiência da tiroterapia, a reportagem acredita que é melhor ir mais de uma vez ao estande de tiro para ver se a tensão fica por lá. Ver uma arma é diferente de pegá-la e apertar seu gatilho, por isso, fatores que tencionam, como o excesso de armas e o barulho dos tiros em sequência, pode deixar o “paciente” mais agitado do que quando entrou.

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Mesmo barrada na Comissão de Educação, Escola Sem Partido pode prosperar em São Paulo

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Estudantes fizeram manifestação na Alesp contra o projeto
Giorgia Cavicchioli/R7

Mesmo após ter sido barrado na Comissão de Educação e Cultura da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o projeto da Escola Sem Partido ainda pode ser aprovado em São Paulo. Isso porque ele será discutido na Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento.

No último dia 25 de agosto, um grupo de estudantes se manifestou na Assembleia contra o projeto. Durante uma performance artística, eles criticaram a forma como temas importantes podem ser tratados caso o projeto prospere. Eles falaram sobre machismo, racismo, homofobia e afirmaram que o professor estaria sofrendo com uma censura prévia sobre os temas.

Foi feita uma encenação em frente à Alesp de como os alunos acreditam que seria uma aula com a aprovação da escola sem partido. Depois disso, os jovens seguiram acorrentados até o auditório Juscelino Kubitschek.

No mesmo dia, foi entregue uma petição ao deputado Carlos Giannazi (PSOL) com mais de 12 mil assinaturas contra o projeto. Segundo ele, que foi relator dentro da Comissão de Educação e Cultura e é contra a implementação no Estado, o projeto “pode ganhar força” dentro da Alesp.

— [O projeto pode prosperar] se não houver pressão social, principalmente dos estudantes e professores, que serão os maiores atingidos pelo programa. [A Escola Sem Partido] ficou sem uma perna, mas continua caminhando ainda com dificuldade. Agora vamos tentar quebrar a outra perna na Comissão de Finanças.

As petições e o ato foram organizados pela Minha Sampa e Minha Campinas. O coordenador Guilherme Aranha Coelho diz que a mobilização está sendo feita porque “o programa, como um todo, é uma falsa proposta” porque “propõe uma falsa neutralidade” em relação às ideologias ensinadas nas escolas.

É a proposta de uma censura, de um tipo de controle na escola e esse é o perigo. Você vai criar uma forma de perseguir o professor. Em uma estrutura que tem vários outros problemas, vai criar uma falsa solução para um falso problema. A proposta tem uma característica de censura e desrespeito a liberdades individuais e coletivas.

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Polícia envia à Justiça inquérito sobre morte de mulher na frente da filha

As investigações sobre a morte de Christiane de Souza Andrade, de 46 anos, esfaqueada na frente da filha de 7 anos em julho deste ano, foram concluídas e o inquérito policial encaminhado à Justiça. Rojelson Santos Baptista é acusado dos crimes de homicídio qualificado, pela dificuldade de defesa da vítima, e feminicídio, (assassinato por motivo de gênero). Ele teve a prisão temporária convertida em preventiva (sem prazo predefinido).

O crime provocou comoção nas redes sociais por causa da divulgação de um vídeo em que a menina, desesperada, pede socorro e menciona o nome do agressor. As imagens foram gravadas por um cinegrafista amador na porta do Hospital Souza Aguiar, no centro, onde Christiane morreu.

De acordo com as investigações, Christiane caminhava com a filha pela rua Haddock Lobo, no Rio Comprido, região central do Rio, quando foi abordada por um homem. Ela foi atacada por ele com facadas no pescoço quando saía do supermercado com a filha. Christiane foi levada para o Souza Aguiar, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil informou que testemunhas foram ouvidas e apontaram Rojelson como autor do crime. Uma das pessoas ouvidas disse que a vítima e o preso eram namorados. Dois dias após o crime, Rojelson foi espancado por pedestres. Policiais militares conduziram o acusado até a Delegacia de Homicídios (DH).

Segundo a Polícia Civil, Rojelson foi ouvido e confessou a autoria do crime. Ele teria dito que discutiu com Christiane minutos antes do crime porque ela tinha decidido terminar o relacionamento amoroso. Rojelson disse ter ficado descontrolado e, então, deu duas facadas em Christiane, fugindo em seguida.

A filha da vítima também foi ouvida em entrevista realizada por psicólogos da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), na presença do delegado da DH e de conselheiras do Conselho Tutelar. A criança reconheceu Rojelson como o homem que esfaqueou sua mãe. “Com o objetivo de garantir a tutela necessária à criança, testemunha ocular de um bárbaro crime, ela foi encaminhada para ser auxiliada pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos”, segundo nota da Polícia Civil.

O Delegado de Polícia Fábio Cardoso, titular da DH, informou que a pena máxima para o crime de feminicídio é de 30 anos de prisão e destacou a importância da alteração legislativa que introduziu a qualificadora no crime de homicídio, “garantindo a punição adequada e mais severa para quem mata a mulher em razão da sua condição feminina”.

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Mulheres protestam contra governo na Paulista

“Mães pelo Fora Temer” ocupa o vão livre do Masp, na avenida Paulista
Cris Faga/ Fox Press Photo/ Estadão Conteúdo

Um grupo de mães protesta contra o governo do presidente Michel Temer no vão Livre do Masp, na avenida Paulista, na tarde deste sábado (10). O ato, intitulado “Mães pelo Fora Temer”, segue pacífico.

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Arrastão em restaurante no Itaim Bibi termina com um morto

Três assaltantes invadiram o restaurante italiano Vapiano, no Itaim Bibi, na zona sul, na noite deste domingo (4) chegaram a roubar os pertences dos clientes e funcionários, mas foram flagrados pela polícia. Houve tiroteio, um ladrão morreu, outro foi preso e o terceiro escapou.

O trio chegou ao local por volta das 23h30, quando o restaurante já havia fechado as portas — o horário de funcionamento é até as 23h — e restavam alguns clientes. Eles renderam as pessoas e pegaram seus pertences, enquanto um funcionário acionou a Polícia Militar.

Segundo funcionários do restaurante, que pediram para não ser identificados, os bandidos miravam o caixa eletrônico do local. Eles tentaram fugir pela entrada de funcionários, um corredor estreito que fica na lateral do estabelecimento, separada da de clientes. É neste local que um dos homens foi baleado, segundo os funcionários. “O trabalho hoje de manhã foi limpar a sujeira ali”, disse um deles.

Quando a PM chegou, os três estavam saindo e houve tiroteio. Um dos ladrões foi atingido, o segundo se entregou e o terceiro conseguiu escapar. O assaltante baleado foi encaminhado ao pronto-socorro do Hospital São Paulo e não resistiu.

O caso será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil.

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Gerente de lanchonete em Copacabana chamado de "macaco" denuncia cliente

O gerente de uma lanchonete em Copacabana, na zona sul do Rio, denunciou à polícia uma cliente que o chamou de “macaco” na noite do domingo (4). A mulher foi autuada por injúria racial, crime que pode ser punido com um a três anos de prisão, além de pagamento de multa.

Segundo testemunhas que foram à delegacia apoiar o gerente, a mulher se revoltou com o fato de o banheiro do estabelecimento estar fechado e começou a xingar e a humilhar o funcionário. O caso aconteceu às 20h30 do domingo e a lanchonete estava cheia.

— Ela começou a xingar com palavras agressivas, com agressões verbais de tudo que é forma. Começou a bater no vidro, insistindo em me xingar de ‘macaco’. Lá fora bateu no vidro e me chamou de ‘macaco’ bem alto. A própria colega dela tentou tapar a boca dela, sabendo que ela estava errada – contou o gerente da lanchonete, identificado como Paulo César, à reportagem da TV Globo.

— Eu me senti humilhado, não esperava que isso fosse acontecer no meu próprio local de trabalho, onde trabalho há 12 anos. Isso não deve acontecer com ninguém.

Previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, o crime de injúria racial se caracteriza pela ofensa “da dignidade ou do decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

Segundo a polícia, a mulher foi autuada por injúria e injúria por preconceito e liberada em seguida.

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Irlandês acusado de cambismo na Olimpíada é impedido de deixar prisão

O Superior Tribunal de Justiça concedeu liminar, nesta sexta-feira, autorizando a libertação do irlandês Kevin James Mallon, preso por cambismo durante os jogos Olímpicos Rio 2016. No entanto, Mallon permanecia detido neste fim de semana no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, porque não havia tornozeleira eletrônica disponível para seu monitoramento fora da prisão.

O irlandês foi detido no início de agosto, durante uma operação policial que desmontou uma quadrilha que vendia ingressos para a Olimpíada a preços abusivos. O esquema envolvia o Comitê Olímpico da Irlanda e a empresa britânica THG, da qual Mallon era diretor.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), o órgão “vem se esforçando para pagar e cumprir seu compromisso junto aos fornecedores e restabelecer o pronto fornecimento das tornozeleiras”.

Diante da ausência dos dispositivos para monitoramento remoto, cabe à Justiça decidir se Mallon pode sair ou não sem tornozeleira, informou a SEAP.

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Torcedores invadem centro de treinamento do São Paulo e agridem jogadores

São Paulo enfrenta o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro neste domingo no Morumbi
AMC

Integrantes de torcidas organizadas do São Paulo Futebol Clube invadiram neste sábado (27) o centro de treinamento do clube, na Barra Funda e, segundo a assessoria de imprensa da agremiação, agrediram jogadores e furtaram materiais esportivos, como camisas de treino e bolas.

Após ser eliminado na semifinal da Copa Libertadores da América, o clube vem fazendo má campanha no Campeonato Brasileiro, estando a 4 pontos da zona de rebaixamento, embora ainda ocupe a 11a posição na tabela, com 27 pontos.

O protesto foi convocado pela Torcida Independente em seu site, na internet. “Só você, torcedor, poderá salvar o São Paulo F. C. da segunda divisão. Chega de aceitarmos uma diretoria corrupta, jogadores chinelinhos que, há anos, vem manchando a nossa história. Se entrarmos na zona de rebaixamento, esse time não terá forças para sair”, dizia o comunicado, que pedia concentração dos torcedores às 9h da manhã de hoje, no Largo do Paissandú, no centro da capital.

Já no site da Dragões da Real, a torcida organizada do clube informou que o protesto de hoje foi “contra os desmandos políticos e a bagunça generalizada que estão afundando o clube”. Segundo a torcida, “jogadores que fazem corpo mole foram hostilizados, sim, mas ninguém foi agredido, como já estão inventando na imprensa para desmerecer a manifestação da torcida”.

Procurada pela Agência Brasil, a Polícia Militar (PM) informou que foi acionada para a ocorrência por volta das 9h40 deste sábado hoje e que, assim que chegou ao centro de treinamento, os torcedores deixaram o local. De acordo com a PM, ninguém foi preso e não houve denúncia de roubos e agressões ou de vandalismo.

O São Paulo, no entanto, informou que os jogadores Wesley, Michel Bastos e Carlinhos foram agredidos, sem gravidade, e que materiais esportivos foram furtados do local.

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Em nota publicada em seu site, o clube disse “que jamais repeliu manifestações espontâneas e autênticas” e que “repudia veementemente a invasão ocorrida nesta manhã no CT da Barra Funda por parte de uma minoria de integrantes de torcidas organizadas, usadas como massa de manobra por pessoas interessadas em desestabilizar o clube”.

“O São Paulo FC já fez todos os contatos e tomou as devidas providências com as autoridades competentes, visando ao pleno esclarecimento e reparação dos danos que a referida ação causou”, diz a nota.

Neste domingo (28), o São Paulo enfrenta o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro, no Morumbi, na capital paulista.

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Zona Oeste tem maior oferta de imóveis novos da capital paulista

A zona oeste tem um quinto do estoque de 24,6 mil apartamentos novos à venda em São Paulo, somando lançamentos, unidades na planta, em construção, prontas e entregues. São 5,1 mil imóveis, em que predominam 1,7 mil de um dormitório e 1,4 mil com dois quartos, a tipologia campeã de vendas na capital. “A maior parcela custa de R$ 400 mil a R$ 700 mil”, afirma a diretora geral de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle.

Butantã, delimitado pelo Rio Pinheiros, e Vila Madalena, famosa por sua vida noturna, são extremos na curva de preços. Em média, o custo do metro quadrado sai, respectivamente, por R$ 6,9 mil e R$ 16,9 mil, segundo o painel de mercado da Lopes, que mapeia os projetos lançados nos últimos três anos.

Em 36 meses, a zona oeste cedeu terreno para 127 empreendimentos. São 176 torres, com 14,3 mil novas moradias. Por conta da infraestrutura de serviços e lazer, além dos eixos de transporte com metrô, é a região com o metro quadrado mais caro: R$ 11,8 mil. Na cidade, a média fica em R$ 9,4 mil/m².

Com preço de R$ 400 mil a R$ 699 mil, existem 2,2 mil opções de apartamentos. Um exemplo é o Smiley Home Resort, em construção no Butantã pela Brookfield, com três e quatro dormitórios, área de 77 a 108 m², a partir de R$ 410 mil. Outro é o Smart Vila Madalena, da Gafisa, com um dormitório, de 31 a 40 m², cujo preço mínimo, no site da Abyara, é de R$ 372 mil.

A Brookfield aposta na zona oeste, diz o diretor de incorporação, José de Albuquerque, comentando que já fez “muita coisa na Vila Leopoldina”, bairro onde o estoque sai por R$ 10,5 mil/m². “Temos um grande lançamento com quatro edifícios independentes”, diz, citando o empreendimento Caminhos da Lapa, no terreno da antiga fábrica da Sadia, na Vila Anastácio, que pertence ao distrito da Lapa.

Entre R$ 700 mil e R$ 1,49 milhão, há 1,2 mil unidades. O Place Madalena tem 134 apartamentos com um e dois dormitórios, de 47 e 68 m², e preço inicial de R$ 765 mil, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). No Vista Pompeia, são 44 unidades de três quartos, com 150 m², a partir de R$ 1,4 milhão. Os dois foram lançados em março.

A faixa de preços entre R$ 400 mil e R$ 1,49 milhão engloba dois terços do estoque da zona oeste, onde se destacam Pinheiros e Perdizes. Ambos são classificados entre os três bairros de São Paulo com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido com base nos indicadores de renda, educação e saúde.

“É uma região consolidada, onde a maioria dos bairros são consagrados”, diz Mirella. Em Pinheiros, os imóveis custam em média R$ 16 mil/m². Em Perdizes, saem por R$ 13,3 mil. Em construção, o Brookfield Home Design Pinheiros tem um e dois quartos, 44 a 85 m² e preço a partir de R$ 705 mil. Com área bem maior – de 176 a 316 m² -, o Landscape, em Perdizes, têm quatro dormitórios e preços que vão de R$ 2,6 milhões a R$ 4,9 milhões.

Mirella destaca a Vila Romana, “bairro em expansão, com público já definido”. Ali, o custo é de R$ 11,2 mil/m². Ela fala do lançamento do Mérite, da Exto, com unidades de 164 m². “Planta diferenciada e terraço nivelado com a sala, integrada à cozinha.” E cita o Scene, com três quartos, a R$ 12 mil/m² e tíquete de R$ 900 mil a R$ 1 milhão.

Em seis meses, o tíquete médio dos lançamentos baixou de R$ 775 mil para R$ 748 mil na zona oeste. “Passamos pelo pior momento do mercado”, diz o diretor executivo da Five, André Mouaccad, otimista com este segundo semestre, para dizer que 2017 vai ser melhor. “As vendas voltaram e caiu o número de distratos.”

A zona leste, do outro lado, tem 5,7 mil apartamentos novos à venda, segundo o último balanço do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). É a região da capital que registrou o maior número de projetos do segmento econômico, subsidiado pelo governo com o programa Minha Casa Minha Vida até o teto de R$ 225 mil a unidade.

Em três anos, a zona leste recebeu 21,3 mil apartamentos, de acordo com painel de mercado da Lopes. Foram lançados 141 empreendimentos, cuja maioria (64%) ficou abaixo de R$ 400 mil por unidade. Estão divididos em duas faixas: 34 projetos de perfil popular, até R$ 199 mil, e 54 entre R$ 200 mil e R$ 399 mil.

A demanda por habitações encaixadas no MCMV é enorme, afirma a diretora de incorporações da Atua Construtora, Gil Vasconcelos. “Vendo tudo o que consigo lançar até R$ 225 mil.” Ela garante que um “produto redondo” com esse programa vende fácil. “Para tíquete acima de R$ 300 mil, a velocidade de vendas deu uma caída”, explica.

Na zona leste, o preço mediano do estoque é R$ 7,1 mil/m², segundo o estudo da Lopes, que aponta o maior volume – 3,4 mil apartamentos – para unidades com dois dormitórios. A curva de preços varia de R$ 3,7 mil/m² no Itaim Paulista até R$ 10 mil no Jardim Anália Franco.

Até R$ 225 mil é a faixa mais aquecida do mercado, diz o vice-presidente de habitação econômica do Secovi/SP, Rodrigo Luna, que é sócio da Plano & Plano. “A crise traz dificuldade no que diz respeito às linhas de financiamento, mas essa faixa é preservada pela manutenção do MCMV.”

O estudo da Lopes aponta Guaianases (R$ 3,8 mil) e Itaquera (R$ 5 mil) entre os menores preços da zona leste. Já Vila Prudente (R$ 6,7 mil), Belém (R$ 7 mil), Mooca (R$ 8 mil) e Tatuapé (8,7 mil) têm o metro quadrado mais caro.

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Sem dinheiro, Comitê Rio-2016 corta dezenas de funcionários

A crise financeira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro gerou a demissão de dezenas de funcionários, que também trabalhariam para a Paralimpíada em setembro. Em alguns departamentos, a reportagem do Broadcast apurou que os cortes chegarão a 40%. Nos últimos dias, negociações garantiram a injeção de recursos públicos para resgatar a Paralimpíada, depois que parte das verbas foram usados para preencher o rombo na Olimpíada.

Nesta negociação ficou estabelecido que a Paralimpíada seria enxugada. Na condição de anonimato, funcionários confirmaram à reportagem que foram informados apenas nesta semana de que não teriam trabalho a partir de segunda-feira, ainda que originalmente o entendimento era de que ficariam até o final de setembro, para atender também aos Jogos Paralímpicos.

“Fomos informados nesta semana que estamos dispensados depois do encerramento”, disse uma das funcionárias, que aguarda até segunda-feira para saber quanto será paga. “Nosso contrato vai até final de setembro. Mas ninguém nos disse se o contrato vai ser simplesmente suspenso ou se ganharemos uma parte”, disse. “O que eu sei é que segunda-feira eu estou desempregada”, afirmou.

Assim como ela, dezenas de outras pessoas no Parque Olímpico foram informadas apenas nesta semana que os contratos serão suspensos. “Eu sou do interior do estado do Rio. Vim para cá e aluguei um lugar para ficar até o final de setembro. Quem é que vai pagar pelo mês de aluguel?”, questionou.

Fontes que participaram das negociações confirmaram à reportagem que se chegou a falar abertamente no cancelamento de diversas modalidades, o que acabou sendo evitado graças ao aporte de dinheiro público.

A falta de dinheiro levará ao fechamento de diversas instalações, demissões e a transferência de competições para outros lugares, com o objetivo de “maximizar os recursos”. O número de ingressos para a Paralimpíada também será fortemente cortado, de 3,4 milhões para apenas 2 milhões.

Até agora, apenas 12% dos ingressos foram vendidos e, numa esperança de atrair pessoas aos locais dos eventos, os organizadores avaliam tornar gratuita a entrada ao Parque na Barra da Tijuca. Ali, cada um pagaria para ir aos eventos específicos.

Não por acaso, o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) afirma que o evento no Rio de Janeiro em setembro será “o mais difícil jamais realizado” em mais de 50 anos da competição.

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